lésbica feminista encantada

Wednesday, January 11, 2012
quase mantra

existe você. existe eu. existe o espaço. existe você. existe eu. existe a sua mulher. existe você. existe eu. existe o meu desejo. existe você. existe eu. insiste eu. quero você.

Posted at 03:14 am by natalia nega
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Saturday, July 16, 2011
mentira #1

Fumei e fiquei ali. Depois dela. Me lembrou aquele pedaço do livro de Cortáza. Fique na cama, abatida pela alegria, sem nenhuma coberta, cansada como depois de um sonho. E Nana falava que amor pode nos descansar, mudar os ventos, nos cuidar. E ela ainda me ensina como retorno, o renascimento de uma mulher que se sente amada, pois só isso interessa, sentir. O meu sentir daquilo. Amada. Me lembrava Cortáza porque eu fique na cama, descoberta, suando, acordando vez ou outra para fumar um cigarro. Mas fiquei ali dormindo, sem precisar fechar os olhos o tempo todo, dormindo na lembrança, no que havia sido real. Era sono, não sonho, porque podia voltar a ser verdade. Mas agora não era, eu dormia dentro da lembrança do tempo que eu já não podia comensurar se era uma noite ou quase uma hora que eu estava ali, sonhando, dormindo. Não a esperava de volta. Ali era bem melhor. Se sentir amada era melhor do que fingir que era amor.

Posted at 02:22 am by natalia nega
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o quarto dela

Quarto vazio. Sem cama, sem armário, sem tapete, sem cortina, sem lençol. Só o chão desprotegido e nu. Só as paredes se, artificio, mal pintadas, desmarcadas. Todas as paredes iguais. Estranhamente parece com o que eu sinto por dentro. Me vejo ali, naquele quarto sem nada, sem desejo, sem sonho, sem noites perfeitas, sem gozos, sem nada. Trago na mão uma canastra com papéis coloridos, panos estampados, duas almofadas macias e bonitas, bordadas com palavras que sempre bordo ou pinto nos lugares. Trago um frasco de alfazema e o antigo retrato de Iemanjá para deixa-la olhar junto comigo. Com um único presente: a porta. E como já usei para entrar, ela agora tem o nome "porta de saída". Nesse quarto só se entra uma vez se, por acaso me encontrar novamente entre aquelas paredes é porque não saí, mas saindo, não tenho mais como entrar. A porta se abre para mim. Duas vezes, entro e saio, entro se quiser, por que sabia ou por curiosidade. E saio por não ter onde ficar, onde sentar, onde deitar. Não quero mas esperar no chão frio do quarto do amor dessa mulher. Só posso reabrir a porta de saída uma vez. O quarto se fechará, tornará a ser habitado por nada, como ela quer. Um quarto vazio, sem porta, quase deixa de existir, quase desaparece da realidade. Ele existirá como a lembrança de um desses sonhos angustiantes que temos e que lembramos vagamente pela manhã, que deixa só a desconfortável lembrança da angústia, o vazio de não lembrar o que era. Estou parada, olhando a porta, ouvindo vozes de minhas irmãs, minhas filhas, minhas mães que soam como se tentassem conversar comigo em torno do quarto. O som das vozes delas é sempre baixo. Eu me confundo tentando ouvir, entender, conversar, pedir ajuda. As vozes delas não me guiam. Estou parada diante da porta, com o pé flutuando no ar, sem saber se piso em frente e saio ou se espero, mas uma noite, por ela.

Posted at 02:17 am by natalia nega
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Wednesday, May 11, 2011
Cânhamo é um tecido feito de maconha....



Era sexta feira. Saí do trabalho e passei na casa de uma amiga de uma amiga que trabalhava comigo. Para fumar. Quando fumei me senti estranha logo no primeiro trago. Não estranha de ruim, mas me subiu uma quentura danada, minha boceta me deu um choque e eu fiquei excitada, imediatamente! Achei muito gostoso mas fiquei medrosa, já que não tinha como saber se as outras tinham sentido a mesma coisa. Na mesma hora passei a acreditar que elas também tinham sentido, isso só fazia parte da minha lombra, mas eu achei melhor me mandar. Simplesmente porque previ que poderia rolar um grande sexo coletivo. Absolutamente inviável já que na sala estavam uma exnamorada minha, uma exnamorada de uma exnamorada minha e uma amiga minha que agora namorava com a minha exnamorada. E como era passado demais e namorada de menos, eu não topei! Tudo isso pensei em dois minutos antes mesmo de acender um cigarro para pensar.
Acendi. Pensei. Estava tocando Alcione e aquilo me deixou um pouco louca, com medo de que o meu presságio se tornasse verdade e que caso acontecesse e fosse bom eu poderia dalí a alguns dias está apaixonada por uma delas, curtindo a Marron cantar "Faz uma loucura por mim". Eu ri, meio em pânico e tomei uma decisão, vou cair fora!

Levantei do sofá, (bem confortável até. Eu tava alí com a minha ex que eu falei, e ela continuava com aquele tom de preto lindo na pele.) e pensei: "que nada, fora!" Me levantei e falei algo sobre minha irmã ter pedido para eu fazer alguma coisa para minha mãe em um lugar por alí, não me lembro! Mas foi coeso sim, sempre fui boa em inventar mentiras rapidamente. Fui embora.
Saí na rua com meu vestido branco, apertadíssimo, que uma costureira linda que eu conheci tinha feito, baratíssimo, pra mim semana passada.

Era uma bairro daqui que eu não conheço nada, mas um grande amigo morava por alí.. E como eu tenho mágia es que surge dentro de um maravilhoso carro popular, modelo da década passada, ele! Meu amigo dizendo, "Nega? Que cê ta fazendo aqui? Seu vestido ficou lindo, valorizou sua bunda horrores". Antes de ficar feliz por ter uma forma de ir pra casa na paz, fiquei vaidosíssima e atravessei a rua completamente rebolativa e muito natural... Falei:
" Nêgo, me meti numa armadilha tremenda, tô toda emocionada na boceta!" Ele me disse.. " Vamos alí, na casa de Tat buscar uma coisa, vamo com agente!" Entrei na mesma hora e me sentei atrás.. Tinha uma menina dirigindo, a tal Tat e um cara amigo de meu amigo, saca? Ela era massa, eu já achava isso. Um jeitão de sapatão, meio mal-humorada e solitária, junto com um jeito de quem não costumava namorar, meio livre pra porra, sabe? Eu pensava essas coisas dela por que estava solteira há alguns tempos e ficava vigiando as mulheres da cidade que me chamavam atenção. E ela parecia pensar tipo: "então tá combinado, é quase nada, tudo somente sexo e amizade, brincadeira e verdade."Sabe? Eu me sentei, lindona, com uns peitos bonitos dentro daquele decote branco e saí da paranóia que eu estava desde que senti tesão na sala com as outras mulheres, dez minutos antes. Eles ficaram me perguntando um monte de coisas e ela continuou calada, dirigindo, cheia de tatuagens, gorda, com uns dedos compridos segurando o volante, me parecendo absolutamente bonita! Tentei explicar o que tinha acontecido dizendo a verdade. Disse que tinha fumado uma maconha estranha que me deu tesão e eu fiquei com medo de perder a linha e me mandei. Ela riu! Descemos do carro e subimos na casa dela. O elevador estava com a lâmpada quebrada e eu achei melhor porque acho a luz de elevador péssima! Que nem luz de provador de loja que te deixa pessima em qualquer roupa. Enquanto isso me contavam o enredo que tinham os tinham feito irem parar alí, diante de mim, na avenida Dom-pedro-primeiro-ou-segundo....

Aí ela me deu a deixa para entrar na vida dela ou somente na cama. Ela disse: "Tem uma música de Nora Ney que NeyMatoGrosso gravou, que é incrível, de cigarro em cigarro" Ele me olhou, naquele momento e sentiu que a venus do céu estava alinhada com minha venus natal ou que o quadrante entre a lua, o sol, plutão e marte estavam influenciando meu ascendente e me proporcionando uma sorte daquelas para o sexo durante os dias 16 e falei/pensei: "Gata, você é muito, muito..." Eu gostava da Nora Ney e já tinha falado muito dela. Achava tão dramática, tão abandonada, tão exagerada. E ela também gosta! Eu pensei: " tô louca para ter uma união estável, agora que a galera do Superior deu essa colher-de-chá pá nois!" Quando saimos do elevador, meu bem, eu estava toda molhada e obcessiva pra trepar com ela.

Ela entrou e falou "Vou te mostrar a capa do disco que eu gosto..." Sacou, aí? O lance da conversa do elevador, eu falei: "Quero ver, quero ver, quero sim...." E em menos de dois minutos eu estava dentro do quando dela (e dentro do meu excitante vestido branco). Era um disco que eu já tinha visto e gostava mesmo. Era a cara da Nora Ney e a musica titulo era tão dramática que tinha virado um bordão popular de dor-de-cutuvelo. "Ninguém me ama e tal..." Pensei na minha exnamorada-ultima e de como eu desejava ela e ela nada-pra-mim. Pensei nessa relação tediosa e cheia de (meu) desejo que eu tinha vívido e que tinha começado assim, como um desejo de trepar sem agonia, sem afobação, só para conhecer e que minha cabeça maluca tinha transformado rapidinho num grande amor. Não queria fazer aquilo novamente, não queria o futuro atropelando o presente nunca mais. Mas não adiantava nada pensar aquilo, se eu tivesse que agir assim eu não poderia fazer nada. Me controlar e não escrever um poema no dia seguinte? Não sei como evitar...Braile nas tatuagens.... Pude abraçar as costas e, ensaiadamente, ela me beijou o pescoço.

Na hora uma musica que me lembrava uma antiga amora tocou e eu não pensei nela como sempre. Ele dizendo " dar um zignow na dor...." era ideal! E aí, aquela maconha na minha mente, aquele corpo, aquela saliva e o tempo correndo como num visor de bomba-relógio de sériado americano de ação. O tempo estava acabando e eu não sábia se ela ia saber explodir no tempo certo. Ela soube e botou a mão na minha boceta na hora certinha que tinha que explodir. Os dedos estava gelados, ou estava muito quente alí e foi arrepiante! Simplesmente! Eu queria ter visto a minha cara, sentindo aquilo.. Devo ter mordido a boca dela de um jeito tão gostoso de ver de fora, queria que estivessem fazendo um filme daquilo. Eu imagino que foi muito gostoso o jeito que eu mordi aquela boca. E você sabe quando agente se olha nos olhos no meio do sexo e vê a cara tão diferente que uma mulher faz quando ela se surpreende pela milésima vez quando toca uma boceta? Eu sempre acho diferente e novo. Não há nada melhor que dizer "muitoprazer" para uma boceta.. e elas sempre fazem uma cara de "olha... bom dia, minha amiga!" né? Nem todas, é mesmo, vc tem razão.. Mas são essas mulheres e essas caras que me fazem adorar ser sapatão. E foi assim... Eu estava ótima. E me apresentei para a dignissima dela com o mesmo dengo. As nossas mãos na boceta da outra, uma mão apertando o pescoço, outra meio presa debaixo do corpo ainda desconfortavelmente vestidos. Ela  me beijou mais rápido e disse "não, eles não tem" nem me lembro porque.. tirei com aquela rápidez bagunçada de sexo a blusa dela. Meu vestido branco sumiu e senti a pele dela perto da minha e teve aquela onda que parece cócegas magnéticas, uma sensação de seda pertinho dos pelos mínimos da barriga. Gostoso, gostoso, gostoso e eu, que sou fraca pra coisa boa já estava quase gozando. Ela gostava da Billie, estava tocando no quarto. Ela se concentrou em mim, me deu toda a força e eu fui ficando fraca-forte, gozante... Fui indo, fui indo e parei.. E fui denovo e fui...Intensidade e quantidade. Quando eu senti o solo-cama denovo meu corpo pesava quase nada e minha boceta apertava aqueles dedos autoritariamente Ela obedeceu e os deixou alí, como um presentinho. "Gata, você é muito, muito..."

Posted at 03:44 pm by natalia nega
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Thursday, November 25, 2010
verdade #3

Que resposta você daria para essa ameaça: "Não se apaixone!"? Se é que ameaças precisam ou merecem resposta, não é mesmo? A ameaça é somente um grito, um aviso, que só quem avisa sabe. Quem sofre, recebe, ouve, não sabe nada dela. Só o que saiu da boca de quem ameaçou. O que vc diria dessa ordem, desse pedido, desse socorro, desse mando, desse abuso? Abuso total! Que mulher é essa que acha que pode de alguma forma controlar o que eu sentirei por ela? Hoje, amanhã ou daqui a uma década? Enquanto eu abraçava a cintura dela, e aquele aviso de perigo piscava em nossos olhos ela liberou pela boca essa ameaça: Não se apaixone! Engraçado, risível, muito gracioso e gostoso por que era fraco. Era pra mim ou pra ela mesma que ela dizia aquilo? Enquando aquela preta abusada e absurdamente estranha cresce dentro dos meus pensamentos mais óbivios o movimento dela é esse: grito, ordem, ameaça:"Não se apaixone!" Eu sei do meu limite. E você não manda em mim.

Posted at 06:52 pm by natalia nega
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Tuesday, November 23, 2010
Terceiro domingo de outubro. Meio da primavera do ano de doismileonze.

Quando eu gozo pela primeira vez com uma mulher, fico até um dia ou dois depois, sentindo uma pontada arrepiante que sobe da boceta toda vez que lembro de um pedacinho do momento passado. Com dramáticos efeitos e coloridos enfeites envolvo a memoria do primeiro gozo e gozo! Gozo bem muito, durante o dia seguinte e o próximo. Sabe como é isso? Complicado! por que eu tento resistir a elas e a essas coisas. Eu não planejo nada, não visto roupa especial, não passo preto pra deixar meus olhos maiores, não aparo os pelos, não me lavo com o sabonete mais cheiroso que eu sempre guardo, não visto a melhor calcinha, não aviso a minha mãe. Vou pra rua com a coragem de quem não tem nada arriscado com hora marcada. Vou na paz, com o cabelo pro vento, Éparrei, com cigarro na boca, contando histórias, dando risada e indo, caminhando, andando, na paz, mesmo. Com aquela graça que agente transmite quando o “no mais...” tá tudo bem, sabe? Aquela graça que agente consegue transmitir quando mesmo com problemas agente escolhe não contar, nem enumerar, nem falar deles. Nem com ninguém nem com a gente. De forma nenhuma com agente. Vou segurando minha tranquilidade e minha paz pela mão. Segurando elas como segurarei minhas filhas um dia. Guardando e cuidando, com muito zelo. Aí acontece: Percebo que a paz e a tranquilidade são daquelas êres que vivem se soltando da nossa mão e correndo soltas. Elas nunca ficam quietinhas ali no cantinho de nossa casa. Reinando constantes... São pivetas, fujonas, incontrolaveis. Assim eu ia, repare, e lá pela altura da avenida sete elas avistaram alguma coisa muito mais interessante e sairam correndo desbandeiradas e me deixaram ali: na frente daquela mulher que eu desejei a meio verão, um outono, um inverno inteiro e uma primavera quase se completando. Abre-se outra questão e outra temporada de pontadas arrepiantes que sobem da boceta e desarrumam o coração.

Posted at 12:32 pm by natalia nega
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Posted at 11:57 am by natalia nega
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Sunday, November 07, 2010
Diária

Quando a minha prima sapatão morreu meu pai estava viajando. Meu pai gostava muito dela e a tratava como homem. Do jeito dela, penso hoje, ela arranjou um espaço dentro da nossa família homofobica. Ela morreu tentando viver. Da forma mais inconseqüente possível, ela queria viver. Morreu. Meu pai não foi ao velório. Quando meu pai chegou, alguns dias depois e contaram pra ele o reparei chorando na varanda. Eu sabia que ele tava triste pra caralho. Fui com ele até a casa da minha tia. No velório dela cantaram uma musica que eu nunca tinha ouvido. Eu inha uns 8 anos. A musica me marcou, porque era singela, doce, fraca, sabe? "Segura na mão de Deus, Segura na mão de Deus, pois ela te sustentara..." Achei bonita, não por ser deus, mas por ser mão. "Não temas, segue adiante, e não olhe para trás. Achei muito bonita." Enquanto eu voltava da casa de minha tia, com meu pai. Depois de eles terem sofrido juntos aquela dor que já tinham sofrido a sos. Estávamos perto da minha casa e meu pai começou a cantar a musica. A musica do velório, a musica que tinha me marcado tanto. Naquela hora eu não sabia como aquela musica era velha, como ela era tão conhecida. Fiquei completamente surpresa. Por que tinha uma mágica. Meu pai segurava na minha mão e cantava a musica que falava de mãos. A mão de meu pai sempre foi a mão de Deus. Diária, eu sinto que o modo como eu sou as vezes fere quem me ama. Eu sinto que tem gentes no mundo que me amam! Mesmo sem querer ferir, eu faço. Isso me acaba mais do que qualquer outra coisa. Mas, a duras penas, eu aprendi que não dá pra pedir desculpas por ser quem eu sou. Joguei fora os “sinto-muito” do meu eu. Contei essa historia do meu pai porque acho que foi o grande momento transcendental da minha infância. E por que queria contar como gosto do meu pai, apesar de feri-lo tantas vezes por ser eu. Diária, tem segredos que são irreveláveis, não? Diária, será que Camila vai entender onde eu quero chegar se eu conversar isso com ela. Será que se eu contar do mesmo jeito que conto pra vc, ela vai entender? Será que ela vai entender que o que eu quero dizer é que ela pode segurar na minha mão?

Posted at 08:05 pm by natalia nega
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Tuesday, November 02, 2010
verdade #1

O coração vazio e o corpo quente é pior que a dor. Quando meus olhos olham sem direção me sinto cega. O vicio da felicidade e do seu lado contrário, a dor, podem preencher a vida, os ouvidos, as palavras e fica feio. Fica chato. Fica isso: sem preocupação, sem problema, sem musica, sem mensagens, sem olhares, sem sexo, sem carinho, sem briga. Sem uma mulher! A pois, essa aqui eu dedico a ela. A mulher que poderia estar e se foi, a mulher que poderia chegar e não veio, as mulheres que passaram mas que não foram cruéis o suficiente para deixar uma cicatriz tão forte que ainda hoje doesse resistindo ao tempo. E que também não foram cruéis o bastante para me encherem de felicidade para que hoje, eu ainda pudesse beber um gole restante do carinho de uma mulher.

Posted at 05:31 pm by natalia nega
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Tuesday, June 01, 2010
Sobre nós.

Tem um texto que conta a história de uma velhinha negra que é expulsa da igreja e encontra o próprio jesus na estrada e segue com ele até o paraíso, me lembro de nós. não por causa de jesus ou da velhinha, mas por causa da estrada. penso em nós caminhando por uma estrada de barro seco, de poeira que fecha os nossos olhos as vezes, que seca nossa boca. nessa estrada, surgem casinhas as vezes, onde agente bebe água, come jaca, conversa. outras casa surgem tb, mas as vezes não podemos entrar. na estrada tem buracos, que agente contorna, outros que se escondem e agente cai. encontramos tb umas que estão cruzando essa estrada na direção contrária, por que já estão voltando. outras atravessam correndo, como vultos. agente vai embora, andando, andando, anoitece, amanhece. ai, certos dias, agente entra pra tomar só uma água e tem uma de nós lá dentro que nos pede pra ficar, um pouco. ficando lá, agente deixa as que nós acompanham seguirem na estrada. agente fica, na casa dessa dona, mas sempre espiando na janela pra saber onde estão aquelas das quais nos separamos. agente vai ficando até que aquelas comecem a sumir no horizonte. não dá mais. temos que sair e continuar. as vezes a dona da casa vem junto, as vezes ela fica, as vezes, ela pega o caminho de volta, as vezes atravessa correndo como aquelas outras. os passos das nossas amigas, sempre são como os nossos, por isso pra acalça-las nem tem que correr, é só ir, querendo chegar, que agente já se aproxima de novo. Nessa estrada que não acaba, nossa vida se ganha e se esgota. agente volta, recomeça, constroi uma casa. pára na beira da estrada, embaixo duma árvore e fica por um tempo. Mas não acaba esse andar.

Posted at 02:13 pm by natalia nega
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Olhei no espelho e comecei a rir de felicidade! Tinha conseguido abrir a pele da semente e estava subindo dentro da terra. [...] Meu cabelo era uma dessas criações estranhas, incríveis, surpreendentes, de parar o tráfego – um pouco parecido com as listras das zebras, com as orelhas do tatu ou os pés azul-elétrico do mergulhão – que o universo cria sem nenhum motivo especial a não ser demonstrar sua imaginação ilimitada. [...] O teto no alto do meu cérebro abriu-se; mais uma vez minha mente (e meu espírito) podia sair de dentro de mim. Eu não estaria mais presa à imobilidade inquieta, eu continuaria a crescer. A planta estava acima do solo. Alice Walke

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