lésbica feminista encantada

Tuesday, November 23, 2010
Terceiro domingo de outubro. Meio da primavera do ano de doismileonze.

Quando eu gozo pela primeira vez com uma mulher, fico até um dia ou dois depois, sentindo uma pontada arrepiante que sobe da boceta toda vez que lembro de um pedacinho do momento passado. Com dramáticos efeitos e coloridos enfeites envolvo a memoria do primeiro gozo e gozo! Gozo bem muito, durante o dia seguinte e o próximo. Sabe como é isso? Complicado! por que eu tento resistir a elas e a essas coisas. Eu não planejo nada, não visto roupa especial, não passo preto pra deixar meus olhos maiores, não aparo os pelos, não me lavo com o sabonete mais cheiroso que eu sempre guardo, não visto a melhor calcinha, não aviso a minha mãe. Vou pra rua com a coragem de quem não tem nada arriscado com hora marcada. Vou na paz, com o cabelo pro vento, Éparrei, com cigarro na boca, contando histórias, dando risada e indo, caminhando, andando, na paz, mesmo. Com aquela graça que agente transmite quando o “no mais...” tá tudo bem, sabe? Aquela graça que agente consegue transmitir quando mesmo com problemas agente escolhe não contar, nem enumerar, nem falar deles. Nem com ninguém nem com a gente. De forma nenhuma com agente. Vou segurando minha tranquilidade e minha paz pela mão. Segurando elas como segurarei minhas filhas um dia. Guardando e cuidando, com muito zelo. Aí acontece: Percebo que a paz e a tranquilidade são daquelas êres que vivem se soltando da nossa mão e correndo soltas. Elas nunca ficam quietinhas ali no cantinho de nossa casa. Reinando constantes... São pivetas, fujonas, incontrolaveis. Assim eu ia, repare, e lá pela altura da avenida sete elas avistaram alguma coisa muito mais interessante e sairam correndo desbandeiradas e me deixaram ali: na frente daquela mulher que eu desejei a meio verão, um outono, um inverno inteiro e uma primavera quase se completando. Abre-se outra questão e outra temporada de pontadas arrepiantes que sobem da boceta e desarrumam o coração.

Posted at 12:32 pm by natalia nega

 

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Olhei no espelho e comecei a rir de felicidade! Tinha conseguido abrir a pele da semente e estava subindo dentro da terra. [...] Meu cabelo era uma dessas criações estranhas, incríveis, surpreendentes, de parar o tráfego – um pouco parecido com as listras das zebras, com as orelhas do tatu ou os pés azul-elétrico do mergulhão – que o universo cria sem nenhum motivo especial a não ser demonstrar sua imaginação ilimitada. [...] O teto no alto do meu cérebro abriu-se; mais uma vez minha mente (e meu espírito) podia sair de dentro de mim. Eu não estaria mais presa à imobilidade inquieta, eu continuaria a crescer. A planta estava acima do solo. Alice Walke

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