lésbica feminista encantada

Tuesday, June 01, 2010
Sobre nós.

Tem um texto que conta a história de uma velhinha negra que é expulsa da igreja e encontra o próprio jesus na estrada e segue com ele até o paraíso, me lembro de nós. não por causa de jesus ou da velhinha, mas por causa da estrada. penso em nós caminhando por uma estrada de barro seco, de poeira que fecha os nossos olhos as vezes, que seca nossa boca. nessa estrada, surgem casinhas as vezes, onde agente bebe água, come jaca, conversa. outras casa surgem tb, mas as vezes não podemos entrar. na estrada tem buracos, que agente contorna, outros que se escondem e agente cai. encontramos tb umas que estão cruzando essa estrada na direção contrária, por que já estão voltando. outras atravessam correndo, como vultos. agente vai embora, andando, andando, anoitece, amanhece. ai, certos dias, agente entra pra tomar só uma água e tem uma de nós lá dentro que nos pede pra ficar, um pouco. ficando lá, agente deixa as que nós acompanham seguirem na estrada. agente fica, na casa dessa dona, mas sempre espiando na janela pra saber onde estão aquelas das quais nos separamos. agente vai ficando até que aquelas comecem a sumir no horizonte. não dá mais. temos que sair e continuar. as vezes a dona da casa vem junto, as vezes ela fica, as vezes, ela pega o caminho de volta, as vezes atravessa correndo como aquelas outras. os passos das nossas amigas, sempre são como os nossos, por isso pra acalça-las nem tem que correr, é só ir, querendo chegar, que agente já se aproxima de novo. Nessa estrada que não acaba, nossa vida se ganha e se esgota. agente volta, recomeça, constroi uma casa. pára na beira da estrada, embaixo duma árvore e fica por um tempo. Mas não acaba esse andar.

Posted at 02:13 pm by natalia nega

 

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Olhei no espelho e comecei a rir de felicidade! Tinha conseguido abrir a pele da semente e estava subindo dentro da terra. [...] Meu cabelo era uma dessas criações estranhas, incríveis, surpreendentes, de parar o tráfego – um pouco parecido com as listras das zebras, com as orelhas do tatu ou os pés azul-elétrico do mergulhão – que o universo cria sem nenhum motivo especial a não ser demonstrar sua imaginação ilimitada. [...] O teto no alto do meu cérebro abriu-se; mais uma vez minha mente (e meu espírito) podia sair de dentro de mim. Eu não estaria mais presa à imobilidade inquieta, eu continuaria a crescer. A planta estava acima do solo. Alice Walke

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