lésbica feminista encantada

Saturday, May 15, 2010
Aeroporto de Campinas, 12 de outubro de 2010

 Aconteceu. Sinto-me quase vazia. Um buraco que está vazio de culpa e vergonha por manter uma mulher que eu não amava perto de mim, quase enganada por não saber toda verdade. Sei que a trair, sei que faltei com as promessas que reitero todos os dias com todas as mulheres que cruzam meu caminho, faltei com a honestidade e quando deixei sair da minha boca, meu desejo já não podia esperar, me atropelou. Mas meu castigo veio, fiquei sozinha numa cidade estranha, sem uma amiga do peito, com malas muito pesados e uma culpa de toneladas. Acrescida com o peso que o desejo não possibilitado, não bebido até o fim nós dá. Perdi daqui e perdi de lá, mas estou boa. Ao menos sinto a mão da sabedoria me ajudando a seguir, a sabedoria que um copo de liquido atirado na sua cara lhe dá, que a bolsa e tudo que continha espalhado pelo chão me dá. A mão dá sabedoria limpou o liquido de meu rosto e catou miseravelmente minhas cartas sagradas do barro, ela não bateu nem empurrou a outra. Fiquei sozinha aqui. Nessa viagem que fiz pra deixar a covardia resolver meus problemas. Eu não me importei, eu respirei aliviada, eu beijei a outra mulher que eu desejava e teria feito mais, teria rido, bebido, fumado e lambido o corpo daquela mulher linda, gorda e branca que me tomou a atenção. Teria sim. Mas isso significa ser cínica e fraca, mentirosa e abusada com a mulher que me amava demais. Ela sim, eu não. Eu nunca a amei como ela me amava e havia algo que não me deixaria ali por muito tempo, era uma casa na beira da estrada que eu entrei. Que me deu riso, água, gozo e comida, mas era só uma casa. Como outras que entrei e saí e como as que eu ainda entrarei. Estou escrevendo isso pra rogar desculpas, dó. Pra dizer que não gostei de ver aquele ódio em seus olhos e a raiva conduzindo suas mãos. Foi triste, me perdoe, a culpa foi minha. Estou escrevendo pra dizer que não pude, não quis, não soube dizer “vá” a tempo. Tampouco disse “me deixe, vá” com o orgulho da verdade acima de tudo, da limpeza, da coragem. Escrevo pra lhe dizer: “Pequena, não ache que eu sei de tudo, que eu não me enrrolo, que eu não erro”. A partir de agora direi para todas: “cuidado comigo, menina! Eu não sei do que eu não sou capaz...”

“O pior da tempestade já passou.”

Posted at 07:14 am by natalia nega
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Thursday, April 15, 2010
12#

choveu. uma esperança entrou pela porta, confusa. quase pousou na minha boceta. que será isso?

Posted at 07:01 pm by natalia nega
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Sunday, April 11, 2010
argila

Eu pergunto , de que matéria é feita essa saudade que tomou minha casa para si? Irmã? de que barro de que argila se edificou uma outra casa dentro desse meu corpo? Irmã?, em que terra se transformou meu sangue para que tudo aqui chamasse por você? como a imagem de um sorriso pode ficar tão grande a ponto de cobrir os olhos pretinhos e a pele brilhante da cor da noite no meio do mato? Do que é feita? É barro, argila a mesma de onde a mãe Nanã se fez pra nos fazer. Essa mesma matéria, grossa , espessa, pesada e transformável reconstruiu dentro de mim uma mulher que sempre fica bem em si, em paz sozinha, mas que passa a brilhar com uma cor muito escura e com essa nova forma. É como se meu corpo tivesse te reconstruido pra te abrigar inteira dentro dele. Assim a saudade tá por fora, mas a presença preenche por dentro. Sabe? É assim, irmã: mesmo que eu ande na rua, responda, peça ,cumpra, mostre ,ensine ou aprenda com meu corpo, quando eu me olho, quando eu me fecho, quando me cubro, quando me guardo, reencontro você em mim. De barro, de argila, de terra que se movimenta que se molda e que é firme e inquebrável. Nesses dias sem seu corpo, sinto que posso te ver quando olho pra mim, que posso te tocar quando sinto minha pele ou meus cabelos. É saudade e presença. Não digo que seu corpo não tem feito uma falta sufocante, pois tem! Mas alguns encontros se deixam, ficam, se derramam em cima da gente de uma forma, que distância de corpo nenhuma afasta.

Posted at 08:01 pm by natalia nega
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Thursday, February 25, 2010
verdade #2

Pois é. Sinto que preciso entrar em mim. Me pego rindo das bobagens que cometo. Que comprometem outras e eu tb. Sinto como se em alguns momentos eu deixasse de querer que a minha existência seja cheia de paz e troco pela confusão e pela bagunça. Enquanto escrevo tento entender que choque ou que divisão é essa que se opera dentro de mim. Numa hora, num dia, me sinto mãe, irmã, responsável. Numa outra me perco e chuto, machuco querendo. Só que são essas horas de bagunça, de perdição, de pouca paz que me encaminham para aquelas horas onde eu volto a ser cuidado e colo, pra mim. Meus erros me desesperam, principalmente quando sinto que as outras estão bem e resolvidas, em paz, podendo gozar de corpo e de cabeça de um novo e saboroso encontro. É como se eu sentisse que estou andando e de repente me faltam os pedaços da terra, ai eu preciso pular para continuar andando mais um pouco. Mas o medo me paralisa, eu grito. Mas todas as nossas tragetórias são marcadas pelo medo e ninguém quer somar mais gritos, já bastam os nossos próprios. Quando me vejo nesse lugar onde falta terra pra pisar, só reencontro o caminho depois de me olhar. É sempre melhor me ver, me tocar, me cuidar, admitir que posso agir mal, reconhecer que poderia tomar mais cuidado, domesticar as emoções que são selvagens demais, mais que tem genuinamente a intenção de me preservar. Esse mesmo momento de bagunça, me parece ser um medo enorme de ficar descuidada, desprotegida. É brabo, mais só passa quando percebo que posso, eu mesma, iniciar e finalizar esse cuidado comigo.

Posted at 08:08 pm by natalia nega
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Sunday, February 21, 2010
1


Posted at 10:57 pm by natalia nega
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2


Posted at 10:52 pm by natalia nega
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3


Posted at 10:48 pm by natalia nega
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4


Posted at 10:44 pm by natalia nega
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Thursday, February 18, 2010
o chão do cuidado.



"Tenho energia suficiente para mastigar o mundo inteiro e cuspi-lo em pedacinhos: úteis, aquecidos, úmidos e deliciosos, porque saídos da minha boca"

 

Posted at 03:42 pm by natalia nega
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Wednesday, January 06, 2010
no meio da compreenção.

Pois é. Sinto que preciso entrar em mim. Me pego rindo das bobagens que cometo. Que comprometem outras e eu tb. Sinto como se em alguns momentos eu deixasse que querer que a minha existência seja cheia de paz e troco pela confusão e pela bagunça. Enquanto escrevo tento entender que choque ou que divisão é essa que se opera dentro de mim. Numa hora, num dia, me sinto mãe, irmã, responsável. Numa outra me perco e chuto, machuco querendo. Só que são essas horas de bagunça, de perdição, de pouca paz que me encaminham para aquelas horas onde eu volto a ser cuidado e colo, pra mim. Meus erros me desesperam, principalmente quando sinto que as outras estão bem e resolvidas, em paz, podendo gozar de corpo e de cabeça de um novo e saboroso encontro. É como se eu sentisse que estou andando e de repente me falta os pedaços da terra, ai eu preciso pular para continuar andando mais um pouco. Mas o medo me paralisa, eu grito. Mas todas as nossas tragetórias são marcadas pelo medo e ninguém quer somar mais gritos, já bastam os nossos próprios. Quando me vejo nesse lugar onde falta terra pra pisar, só reencontro o caminho depois de me olhar. É sempre melhor me ver, me tocar, me cuidar, admitir que posso agir mal, reconhecer que poderia tomar mais cuidado, domesticar as emoções que são selvagens demais, mais que tem genuinamente a intenção de me preservar. Esse mesmo momento de bagunça, me parece ser um medo enorme de ficar descuidada, desprotegida. É brabo, mais só passa quando percebo que posso, eu mesma, iniciar e finalizar esse cuidado comigo.

Posted at 02:19 pm by natalia nega
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Olhei no espelho e comecei a rir de felicidade! Tinha conseguido abrir a pele da semente e estava subindo dentro da terra. [...] Meu cabelo era uma dessas criações estranhas, incríveis, surpreendentes, de parar o tráfego – um pouco parecido com as listras das zebras, com as orelhas do tatu ou os pés azul-elétrico do mergulhão – que o universo cria sem nenhum motivo especial a não ser demonstrar sua imaginação ilimitada. [...] O teto no alto do meu cérebro abriu-se; mais uma vez minha mente (e meu espírito) podia sair de dentro de mim. Eu não estaria mais presa à imobilidade inquieta, eu continuaria a crescer. A planta estava acima do solo. Alice Walke

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